Comentários sobre os acontecimentos do automobilismo, demais esportes e qualquer outro assunto relevante o menos mercadológico possível.

sábado, 24 de novembro de 2012

E VAMOS À DECISÃO

Quem leva o tri?
Não tivemos o "mais disputado campeonato da história", mas sim um dos inícios ou uma das primeiras metades mais disputadas da história. Depois da segunda vitória de Alonso na temporada, conquistada no GP da Europa, o único vencedor diferente além dos pilotos da Ferrari (que não teve vitória com o Massa), da McLaren e da Red Bull foi Kimi, em Abu Dhabi. Enquanto na temporada 2007 vimos três pilotos chegarem com chances de título em Interlagos (Alonso, Hamilton e Kimi) e em 2010 quatro pilotos (Alonso, Hamilton, Webber e Vettel) tinham chances de título em Abu Dabhi, 2012 acabou por reproduzir o que durante muito tempo marcou a F-1: o duelo direto pelo título. Portanto, não é o campeonato mais disputado de todos os tempos.

Automobilismo é esporte de equipe. É preciso ter a máquina e o piloto e aqui reside a diferença que coloca Vettel como favorito: o conjunto funciona muito melhor, enquanto o time vermelho é total dependente dos milagres de Alonso, que de sobra faz uma temporada melhor do que quando conquistou seus titulos mundiais.

Porém, todavia, entretanto, carreras son carreras, já dizia Juan Manuel Fangio, o melhor de todos os tempos para este que vos escreve. E como só termina na bandeirada, o kers e o alternador da Red Bull pode acabar deixando Vettel na mão, como no próprio GP da Europa vencido por Alonso, como na última corrida, no caso de Mark Webber, o que acabou proporcionando o pódio do espanhol.

As variáveis não param por aí. Tanto Vettel quanto Alonso são ótimos na chuva. A previsão do tempo cogita a possibilidade de pingos d´água no domingo. Numa dessas vira loteria, como se diz, e talvez Alonso também tenha nessa situação a sua chance. Do contrário, dá Vettel.

Por essas e outras o GP do Brasil já entrará para a história no próximo domingo: teremos um novo tricampeão. Se for Vettel, o terceiro a faturar a trinca consecutivamente depois de Fangio e Schumacher, que bem mais apagado desta vez, aposenta-se definitivamente. Mesmo com uma segunda passagem bem menos brilhante daquilo que foi noutros tempos, que se faça todas as homenagens ao Rei dos Recordes.

E por falar em recorde, lá se vai mais um de Senna. Quando conquistou o tri em 1991, em Suzuka, ele tinha 31 anos e 213 dias. Caso Vettel seja o tri, será com 25 anos e 145 dias. Caso seja Alonso, será com 31 anos e 119 dias. Mais um recorde do insuperável exemplo de garra e determinação sendo superado.

Muitos estão mudando de equipe, outros podem nunca mais aparecer, como o próprio Senninha e Kobayashi, que nem corre neste final de semana. Foi preterido por Esteban Gutíerrez, titular da equipe no ano que vem. Triste e injusto fim a uma das maiores sensações dos últimos tempos. Vindo com a vitória de Austin, Hamilton despede-se da equipe que o criou desde que era um espermatozóide. Quer sair com vitória, mas como a relação com Ron Dennis está arranhada, o chefão não estará lá para lhe dar um tapinha nas costas e dizer "obrigado por tudo e boa sorte. Independentemente de qualquer coisa, somos grandes amigos".

Muita coisa está para acontecer no longo domingo que se avizinha, ao passo em que há movimentações na pista e no paddock. "A expectativa é grande", já reproduziriam o lugar comum alguns jogadores antes da final de campeonato.

Lucas Rafael Chianello, na reta oposta.

sábado, 17 de novembro de 2012

THIS IS RIDICULOUS

Ridículo, medíocre, o tratamento dado pela emissora oficial do golpe de 64 ao GP dos EUA. A etapa que poderá decidir o campeonato somente será transmitida em VT depois daquele telejornalzinho mequetrefe de domingo a noite. Quem tem Sportvárzea em casa, bem. Quem não tem, amém.

Também amanhã, a emissora que recebeu grana dos EUA para colaborar com o golpe de 64 transmitirá a final da Copa do Mundo de Futsal entre Brasil e Espanha, ao contrário da Band, que transmitiu todos os jogos do Brasil. Não que mereça tanto respeito assim uma emissora que transmite nos domingos a noite o tal do Pânico, o programa mais imbecil da história da TV brasileira, bem como tem em seus quadros o ex-CCC (Comando de Caça aos Comunistas) Boris Casoy, mas pelo menos fica claro que na pior das hipóteses há um interesse de transmitir um evento desportivo independentemente das perspectivas de vitória nacional, apesar de também em alguns momentos a emissora também lançar mão da teoria da conspiração baseada no "se o Brasil perdeu, algo está errado".

O pior de tudo nem é isso. Quem é do meio já sabia de antemão que mesmo com a Unimed campeã brasileira de 2012, o GP dos EUA, por acontecer no mesmo horário do futebol, não seria transmitido ao vivo. Resultado: Rodrigo Mattar, competente jornalista automobilístico, profundo conhecedor da matéria, foi demitido do Sportvárzea, que pertence às desorganizações grobo bosta, por anunciar publicamente o que todos já sabiam.

Tivesse Massa ou Senninha na disputa do título, com certeza a postura seria outra. Depois dizem que regulamentar a imprensa é censura.

Desculpe-me Fernando Alonso, este monstro sagrado gênio do automobilismo, mas Vettel tem de ser campeão amanhã, uma vez que, inclusive, há dedo das desorganizações grobo bosta na realização do GP do Brasil. Seria o famoso "matar dois coelhos numa cajadada só": o campeão da temporada numa corrida transmitida por VT e a seguinte, já definida, sem nenhum interesse do público, sofrendo os mais colaterais efeitos do desinteresse num campeonato decidido. 

Seria o máximo!

Cada vez mais perto do tri.
Mas como Vettel, Alonso e os demais nem sabem o que acontece por aqui, se terminar da forma como será dada a largada, teremos, antecipadamente, um tricampeão consecutivo depois de Fangio e Schumacher. Neste final de temporada totalmente oposto ao início do "mais disputado campeonato de todos os tempos", não está muito difícil de assim ocorrer. Automobilismo é esporte de equipe e a Red Bull chega mais inteira do que Ferrari, esfacelada, totalmente resistente em razão do talento de Alonso e nada mais.

O automobilismo tem lá suas ingratidões. E tudo indica que na mais genial temporada de Fernando Alonso, o campeão será Sebastian Vettel. Parece ser uma questão de tempo. Todavia, "carreras son carreras", já dizia o não menos genial Fangio.

Lucas Rafael Chianello, na reta oposta.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

APÓS A BANDEIRADA: NOSTALGIA NO DESERTO

O Homem de Gelo vence no deserto.
Corridas em Abu Dhabi presumem-se chatas. Presunção se materializa até prova contrária, como foi o que ocorreu nesta etapa disputada no Oriente Médio. Depois de Detroit, 1987, com Ayrton, o nome Lotus voltou a vencer. E desde Spa, 2009, Kimi volta ao lugar mais alto do pódio.

O pessoal da Estadão ESPN está correto: por mais que um dia Prost, Mansell, Piquet, Senna, Lauda, Villeneuve (o Gilles), Reutmann e outros tenham feito o diabo nos dourados anos 80, vivemos um momento muito interessante da F-1: seis campeões mundiais na pista, além de diversos pilotos ainda não campeões que também dão seu ar da graça. Temos, sim, uma das melhores safras de pilotos da história. Perde quem não vê.

A vitória de Kimi é especial. Depois de um intervalo no rali, ele voltou bem, competitivo e consistente. Não há nada que possa ser falado contra si no pós retorno. Fosse mais rápido o carro da Lotus, ele estaria disputando o título. Terminará a temporada entre os três primeiros, muito provavelmente. Era boa parte do que queríamos ver do piloto mais politicamente incorreto do grid, que tem aval de sua equipe para se importar menos com compromissos comerciais e mais com as corridas. Viva Kimi, viva a Lotus!

Não se trata, entretanto, da Lotus de Colin Chapman. Num determinado momento, quando Tony Fernandes trouxe o nome de volta, fiquei empolgado quando soube que a família Chapman o alcunhava como herdeiro da marca. Mas aí entrou grana, direitos autorais, propriedade intelectual e a família desfez o testamento. É interessante ver o nome Lotus vencendo novamente, sem dúvida alguma. Significa, para a categoria, algo muito mais do que diversas montadoras que vieram e na primeira flatulência de crise, se foram. Porém, que conste das estatísticas se tratar da, digamos, segunda versão da Lotus. Ou algo do tipo.

Quanto aos pilotos, favorecidos somos nós em vermos, naquilo que podemos chamar de "pós-Schumacher", Alonso e Vettel brilharem. A Ferrari precisa de uma bela cartada final nas duas últimas etapas que faltam. Ainda sim, de longe já estamos diante da melhor temporada deste gênio chamado Fernando Alonso. Vettel, saindo do pit-lane para terminar em terceiro, também é gênio, mas como cada um tem seu façanhômetro dentro de si, para este que vos escreve Alonso é o melhor piloto do grid. Mesmo assim, todo respeito a Vettel, que com certeza já é um dos melhores da história. Especialíssimo este menino que tem muito a ganhar ainda na categoria.

De quebra, Button em quarto. Quatro campeões nas quatro primeiras posições. É mole ou quer mais?

E numa corrida movimentada, desde que ninguém saia ferido, tem de haver o acidente espetacular inesquecível. Coube, neste sentido, a Webber (que já havia se encrencado com Massa e Maldonado), Grosjean, Perez (sempre eles na turma dos barbeiros) e Di Resta protagonizarem um sensacional boliche que enquanto faz uns rirem, faz outros ficarem muito putos da vida.

Ótimo, portanto, este GP de Abu Dhabi, ao quebrar a presunção de chatice e proporcionar uma das melhores corridas da temporada, no melhor estilo anos 80, ainda que tenhamos hoje uma ótima safra de pilotos.

Lucas Rafael Chianello, na reta oposta.

sábado, 3 de novembro de 2012

FINAL DE CAMPEONATO

Não atualizei o blog nas duas últimas corridas e como não sou de discutir assuntos de ordem privada na internet, isso não vem ao caso. O fato é que, em meio à dança das cadeiras, o "campeonato mais disputado da história" desembocou numa disputa bipolarizada pelos dois melhores pilotos que temos hoje no grid. Vamos por partes.

Quanto à dança das cadeiras, destaque negativo para o fato de Kobayashi por enquanto estar à pé. É bem verdade que nesta temporada o japinha doido foi ofuscado pelo seu companheiro. Mesmo assim, o pódio obtido em casa não deixa qualquer dúvida de sua capacidade. Como que um piloto com histórico de ótimas atuações e um pódio está, por enquanto, à pé? São os milhões da TV e dos patrocinadores em detrimento da capacidade dos pilotos. Hulkenberg, que não tem nada com isso, agradece.

Senninha também está fora da Williams na próxima temporada e, sinceramente, não sei se há motivos para ficar. Apesar de pontuar com mais frequência do que o companheiro, Maldonado tem mais pontos e conseguiu nada mais nada menos que uma vitória para a equipe. Qual o trunfo para se conseguir um lugar? Os milhões de dólares dos patrocinadores. Piloto que se preza obtem resultados na pista.

Pois bem, como escrito acima, "o mais disputado campeonato da história" chegou bipolarizado ao seu final. A menos que Alonso e Vettel quebrem e Kimi vença as três provas finais da temporada, o que certamente não irá acontecer. Se acontecer, troféu teclado santo/diabólico pra mim, o único a ventilar a hipótese. E Vettel é o favorito.

Podendo conseguir algo somente realizado por Fangio e Schumacher, o tricampeonato seguido, este esplêndido alemão venceu as últimas provas da forma como é especialista: largando da pole e liderando de ponta a ponta. Para amanhã, larga em terceiro e diz confiar no ritmo de corrida. Na pior das hipóteses é possível pensar num segundo lugar sem Alonso à frente, pois Webber, em segundo, pode ser preterido. Nada de errado nisso, afinal, é normal priorizar o postulante pelo título na "hora H".

Quanto ao espanhol ferrarista, que dê o melhor de si como vem fazendo. Todos tem pilotos, sua equipe o tem. Que seja feita a mágica e se ache, no apagar das luzes, a solução para um carro que no momento não está à altura da situação em que se encontra. No caso de Abu Dhabi, onde as ultrapassagens são dificílimas, a estratégia terá de ser muito bem pensada e pode fazer a diferença.

Alea jacta est.

Lucas Rafael Chianello, na reta oposta.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

APÓS A BANDEIRADA: E DE REPENTE, O TRI À VISTA

As coisas não eram mais as mesmas. Não se fazia poles facilmente, os tempos não vinham com algum sacrifício, o desastre vermelho deixava de sê-lo e os prateados ingleses acertaram a mão. Porém, sorteado o vice-líder para combater Alonso, o título parece agora ser uma questão de tempo. Quanta mudança de panorama num campeonato tão longo!

A Ferrari que se safe, pois Vettel agora vem com tudo. A McLaren vive os últimos dias de Hamilton, Button não tem mais chances e Kimi não tem carro rápido o suficiente. O desastre vermelho que se anunciava no início de temporada foi evitado, mas a não perda do título nas atuais circunstâncias é o novo milagre a ser operado por Alonso.

Acabou a gordura a ser queimada e a história de Spa se repetiu: o piloto mais regular da temporada de fora logo na largada. Quase tudo de ruim aconteceu com a Ferrari neste final de semana e providências precisam serem tomadas urgentemente. O ritmo de classificação quanto o de corrida já não são convincentes. O automobilismo, esporte de equipe por excelência, é conciliação de carro e piloto. O primeiro já se tem, é o melhor do grid. Proibidos os testes durante a temporada, será preciso quebrar a cabeça para que se façam os ajustes necessários no sentido de Alonso poder brigar de igual para igual pelo tri.

Aliás, é isso mesmo: teremos um tricampeão esse ano: Vettel ou Alonso.

O final de semana só não foi de todo ruim para a Ferrari porque Massa voltou ao pódio depois de 35 GPs. Ótima largada, ótimo ritmo de corrida e nenhum problema com os pneus dessa vez, componentes que fazem o piloto brasileiro sofrer bastante.

Mito no pódio.
Mas o grande fato da corrida foi o primeiro pódio de Kamui Kobayashi, o melhor japonês de todos os tempos da F-1. Segurar Button no final não foi fácil e o sacrifício valeu a pena. Em casa, a torcida fez uma bela festa, principalmente nos instantes anteriores ao pódio, gritando em uníssono o seu nome. Diminui um pouco o ofuscamento de Perez e contabiliza o quarto pódio para a Sauber, simpática equipe com cara de F-1.

Vamos à Coreia do Sul. Muito provavelmente apenas para ver o que será definido do campeonato numa pista sem graça que nada tem a ver com a F-1.

Lucas Rafael Chianello, na reta oposta.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

ERA PROVÁVEL E É MERECIDO

Agora, com o macacão do cara ao lado.
Não gosto de falar da minha vida pessoal em redes sociais. Como cidadão, gosto de utilizar a internet para discutir o que penso sobre assuntos de ordem pública. Preciso, urgentemente, escrever um texto sobre a palhaçada que é esse julgamento da Ação Penal 470. Mas vamos lá, enquanto rasgam a Constituição para limparem o rabo.

Fato é que estive viajando (não importa a ocasião) e me desliguei quase que totalmente de TV, rádio, internet, ondas sonoras, sinal de fumaça e afins. Fiquei sabendo do luto da extrema direita brasileira com a morte da sua principal expoente. Uma pessoa daquela ter a importância que tinha enquanto pioneira de apresentadora na TV brasileira é só uma confirmação de que a mídia de nosso país sempre foi golpista.

Desligado de tudo, curtindo outros eventos paralelos e depois de perder o sono e finalmente me conectar de novo ao mundo, fico sabendo que Hamilton foi pra Mercedes e Perez assume o seu lugar. Procura-se um companheiro para Kobayashi. Se bobear, por causa da grana, a Sauber até mesmo vem com uma dupla nova pro ano que vem. Acho que o Alguersuari, conhecido por essas bandas como Alguersueri, conforme dialeto galvânico, cai por lá.

Schummy aposenta. Não dá mais. Sua volta é a amostra disso. Não tem mais sentido, do alto dos seus quarenta e tantos anos, insistir em algo que deu certo, mas que já saturou. Cambia, todo cambia (muda, tudo muda), já cantava Mercedes Sosa. A F-1 precisa se renovar, para que surjam inclusives novos Sergio Perez.

E falando dele, merecida sua contratação pela McLaren. Koba, o mito, foi ofuscado pelos seus três pódios neste ano. Pra quem chegou com fama de barbeiro, navalha, chapa muro e afins, o Chapolin colorado evoluiu demais. Seus resultados são significantes e expressivos. Chegou a hora de apostar num patamar que esteja acima do atual estado das coisas.

Quanto a Hamilton, substituirá um campeão que muitos diziam que ele poderia bater, no que se refere às estatísticas. Pouco antes do título infantilmente perdido logo na temporada de estreia, Juan Pablo Montoya, ídolo deste blog, comentou o atrito Hamilton-Alonso dizendo que o então novato era o bebezinho de Ron Dennis. E por mais que tenha sido decepcionante a passagem do colombiano pela F-1, suas palavras tinham razão de ser, pois Hamilton é pupilo de Dennis desde o kart.

Correta está a Presidenta Dilma: "notícia de jornal não tem fé pública". Ainda sim, pelo que se fica sabendo da imprensa especializada, principalmente a europeia, dá pra ver que às vezes Hamilton perde o foco. Assim foi com o título perdido aqui em 2007, assim foi na temporada passada com diversas cagadas homéricas, em meio a boatos de término de namoro e relações estremecidas até mesmo com o próprio pai, também seu empresário.

No final das contas, o que vale é sentar no carro e pilotar. Porém, como atualmente também se exige outras coisas nesse mundo de bastidores chato, patife e mesquinho que é a F-1 fora das pistas, Hamilton pode ter feito a escolha certa. O corte do cordão umbilical pode representar a maioridade e a obtenção da maturidade que a dependência e olhos paternos de Ron Dennis talvez até mais atrapalhem do que ajude.

Lucas Rafael Chianello, na reta oposta.

domingo, 23 de setembro de 2012

APÓS A BANDEIRADA: VITÓRIA DE VETTEL, BOM PARA ALONSO

Sorriso que novamente se estampa.
Tudo caminhava para uma vitória de Hamilton, até que o sistema de câmbio resolveu aprontar e deixou o então líder na mão. Fim de prova e caminho da vitória aberto para Vettel.
 
Maldonado largou em segundo, caiu para quarto e com o abandono de Hamilton, lutava pelo pódio. Vem o safety car e ainda em bandeira amarela a equipe o manda recolher o carro para os boxes. O bolivariano continua sem pontuar desde sua vitória e Alonso, sem a menor chance de oferecer resistência, tinha caminho livre para mais um pódio.
 
Talvez a Red Bull esteja mesmo esboçando uma reação. Se for assim, Vettel entra de novo na briga pelo campeonato ao reassumir a vice liderança. Caso contrário, o grande adversário de Alonso é Hamilton. Mesmo em quarto na tabela de classificação, há tempo para se reverter uma desvantagem de 52 pontos. Para isso, a McLaren deve converter o domínio em vitórias.
 
O caso de Kimi é curioso, intrigante. Completou todas as voltas da temporada, subiu no pódio diversas vezes e a imprensa especializada noticia que ele está feliz pelo fato da única preocupação da equipe ser de ele sentar no carro e correr. Mas continua faltando algo mais. Ainda dá tempo, mas a resposta há de vir na pista.
 
Quanto aos assuntos, digamos, periféricos, destaque para a cassetada do Schumacher na traseira do Vergne, o que contribuiu e muito para que a corrida terminasse no limite de duas horas. Punição merecida na próxima etapa: perda de dez posições no grid de largada. Dificilmente alguém alcançará os feitos dele tão cedo. Será mesmo necessário renovar o contrato para mais uma temporada?
 
Corrida decente de Massa. Sofreu com os pneus no sábado, veio remando desde lá de trás e com um final de prova agressivo terminou em oitavo. Senninha, que vinha fazendo uma boa prova para brigar nos pontos, teve de abandonar na última volta por problemas no KERS, depois de ter andando atrás de Maldonado, como quase sempre.
 
E menção honrosa a Paul di Resta. Ritmo consistente que faz dele e da equipe merecedores de um digno quarto lugar.
 
Kimi, matematicamente, ainda é azarão. A força continua com a McLaren. Hamilton só não é o favorito ao título porque precisa conquistar pontos na tabela de classificação. Somente as próximas provas demonstrarão se Vettel é candidato ao tri consecutivo. Cabe a Ferrari dar um jeito de melhorar para que Alonso possa correr mais tranquilamente pro caneco. Que Suzuka, palco da consagração de grandes mitos, nos dê pelo menos algumas respostas.
 
Lucas Rafael Chianello, na reta oposta.

sábado, 22 de setembro de 2012

É POLE!

Te cuida, Alonso!
Não há mais qualquer argumento para se duvidar da força da McLaren. Pole e vencedora das três últimas provas, a equipe novamente acertou a mão num final de semana em que se desenhava um domínio da Red Bull. Pole de Hamilton, seguido do surpreendente Maldonado e de Vettel.

O GP de Cingapura é uma corrida longa num circuito de rua. Um safety car pode mudar tudo. Atenção para os pneus, pois os super macios são bem mais rápidos que os macios, ou seja, a estratégia acertada pode significar a vitória, apesar do domínio da McLaren em termos de desempenho.

Alonso, líder do campeonato, consciente de que o desempenho da Ferrari é inferior em relação às demais, larga em quinto. Que chegue o máximo que puder à frente, de preferência no pódio e até torça para Maldonado surpreender, de forma a roubar pontos de seus principais concorrentes ao título.

E num circuito de rua, travado, onde carros um pouco mais lentos costumam dar o ar da graça, Kimi, candidato sim ao título, ficou no Q2, enquanto Grosjean foi pro Q3. A ordem inversa era mais conveniente.

Palpite para amanhã: Hamilton, sobrando.

Lucas Rafael Chianello, na reta oposta.

domingo, 9 de setembro de 2012

APÓS A BANDEIRADA: ONDE É A CRISE?

Crise, boatos, vitória e vice liderança.
Quando chegamos a Monza neste final de semana, falava-se muito de uma crise na McLaren, pois Hamilton estaria insatisfeito com o tratamento recebido na equipe. As twittadas com dados da telemetria de Spa, depois deletadas, e o capacete prateado nas sessões de treinos livres deste final de semana eram, em tese, a confirmação de que Hamilton estaria se mudando para a Mercedes no lugar de Schumacher, que ainda não renovou seu contrato para a próxima temporada.

Entretanto, Button quebrou quando estava em segundo. Perez, de maneira magnífica, épica, roubou pontos de Alonso e as Red Bull abandonaram. Com três vitórias nas últimas três etapas do campeonato, conquistadas em circuitos com características diferentes, a McLaren é, de uma vez por todas, a grande força desta reta final de campeonato. Sempre foi característica da equipe liberar seus pilotos para a briga. Foi assim com Senna e Prost, foi assim como Alonso e Hamilton e agora não será diferente.

Button e Hamilton correrão livremente até que um deles não possa mais disputar o caneco. Quem não tiver mais chances ajuda o outro. E se alguém vai mudar de equipe, isso é outra história. Vamos ver primeiro como faremos para vencer e depois discutimos o resto, dirá Ron Dennis no motorhome.

A crise, portanto, é das demais. Na Ferrari, nem tanto assim. Há uma gordura para queimar e tempo para reagir ao domínio da McLaren que se desenha. Porém, se não houver reação, pânico. Na Red Bull a crise é iminente. É visível que nas corridas o ritmo é um pouco melhor, mas depois que impediram o mapeamento de motor e o difusor aquecido, os principais trunfos da equipe, haja crise existencial na piscina de energéticos, que nem Freud explica.

Essa temporada é uma das mais interessantes da história, com diversos fatores a serem analisados. Ainda na liderança do campeonato, quem diria que a Ferrari estaria aonde está hoje depois de uma pré-temporada que anunciava uma tragédia. O carro melhorou, com certeza, mas o grande diferencial nisso tudo é a frase de efeito mais escrita neste blog nos últimos tempos: "Todos tem pilotos. A Ferrari tem Fernando Alonso".

A McLaren começou bem, dominou os treinos no início da temporada, caiu de produção e volta a ser a força dominante. Sergio Perez, a revelação do ano, é um garoto especial. Três pódios merecidamente conquistados, a certeza de um potencial para um futuro vencedor. E quem diria que quieitinho, discreto,tranquilo, ao seu melhor estilo, Kimi estaria no top 3 da tabela de classificação depois de dois anos fora. Se automobilismo é conciliação entre piloto e equipe, o piloto já se tem. Falta a Lotus dar a Kimi um carro que lhe permita brigar pela ponta. Ainda há tempo.

Lucas Rafael Chianello, na reta oposta.

sábado, 8 de setembro de 2012

É POLE!

Pole enquanto se define o futuro.
Intervalo na crise, pelo menos neste seu suposto princípio. Hamilton larga na frente amanhã, seguido de seu companheiro, Button. Respectivos vencedores das duas últimas provas, mostram que a McLaren é realmente a grande força desta reta final de campeonato.

Em terceiro uma Ferrari, mas não é Fernando Alonso e sim Felipe Massa. Sabe-se lá porque, o espanhol não acertou a volta. Com o vice líder do campeonato saindo da sexta posição e os concorrentes diretos prateados na ponta, o lider do campeonato terá de fazer uma significante prova de recuperação. Do contrário, o prejuízo não terá sido somente o abandono na Bélgica.


No mais, ficar de olho em Di Resta. Autor do quarto tempo e punido com cinco posições, larga em nono e tem um carro bem acertado pra corrida amanhã. Será uma atração à parte. E com asa móvel permitida em dois locais de uma pista de altíssima velocidade, teremos muitas trocas de posições.

Palpite para amanhã, com alguma chance considerável de acerto: Button.


Lucas Rafael Chianello, na reta oposta.